Director do filme:
Steve Jacobs
Adaptação da obra de:
J.M. Coetzee



Série muito bem trabalhada.
Espiritual e filosoficamente estimulante.
Inspirado em excerto de Fernando Pessoa
"Primeiro, informe-se dos factos; depois, pode distorcê-los quanto quiser" (Mark Twain)

http://www.imotion.com.br/imagens/data/m
"A verdadeira finalidade da vida humana é o bem. Se tendemos para o bem, então essa finalidade da vida terá de ser conhecida. O conhecimento do bem é suficiente para o praticar (=intelectualismo). O problema reside nisto: como adquirir o conhecimento do bem?
Este conhecimento, segundo Sócrates, não pode ser ensinado. Isto implica que, ao homem, só resta a intuição para distinguir com segurança o que é o bem e o que é mal. Nesta concepção socrática está pressuposto que «toda a alma humana tem o poder de descernir, por intuição directa, o que é realmente bom» .
A intuição verdadeira de si e das coisa é erigida, por Sócrates, a critério de moralidade. Enraizando a virtude na intuição verdadeira, identificando esta o conhecimento do bem, Sócrates não chega a clarificar o conteúdo geral do conceito de bem. Afinal o que é o bem? Sócrates acaba por não o definir.
Em resumo:
«1.A virtude é conhecimento
2. A virtude não é ensinável
3.Nimguém erra deliberadamente
4.A felicidade é o resultado da virtude» (Fonte F. M Cornford, Estudos de Filosofia Antiga, Atlântida, Coimbra).
Copyrigth: Filsofia , Do Mito a Descartes, Alfredo Reis.
Coreia do Sul/Alemanha, 2003 Cor – 105 min.
Com: Oh Yeong-su, Kim Gi-deok, Kim Young-min Seo Jae-kyeong, Ha Yeo-jin, Kim Jong-ho, Kim Jeong-young, Ji Dae-han, Choi Min, Park Ji-a, Song Min-yeong
drama meditação budismo
"Um monge budista (Oh) vive com uma criança pequena (Seo) numa casa flutuante no meio de um lago. O monge educa o miúdo de forma rigorosa: quando ele maltrata pequenos animais, o mestre castiga-o de forma paralela. Cada estação que passa traz uma fase da vida do pupilo — acompanhamos a criança, o jovem, o adulto. Durante a adolescência, uma rapariga doente é colocada sob os cuidados do monge, quebrando a harmonia do local, assente numa bipolarização reconduzida, em última análise, ao princípio de Yin e Yang.
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Há paralelos formais, fortes, e narrativos, casuais, com «Seom» [«The Isle»] (1999), um filme anterior do realizador a estrear em Portugal (cujo título nacional tem tendência a perder-se nos corredores escuros da nossa memória). O cenário é similar: um lago, com uma habitação flutuante. Se os filmes tivessem estreado consecutivamente seríamos levados a crer que Kim os tinha rodado em simultâneo, aproveitando o mesmo cenário e encolhendo substancialmente os orçamentos. A nível do argumento, o filme anterior coloca um fugitivo da lei numa estância de pesca, uma premissa que acabará por tocar ao de leve o desenvolvimento narrativo de «Primavera...». Aqui, o arranque é idílico, paradisíaco, casto; um velho, símbolo da sabedoria e uma criança, símbolo da inocência, mas também da ignorância e da crueldade primária do ser humano (ainda por confinar por processos de educação e socialização), movem-se numa realidade aparte, isolada dos vícios e distracções do mundo moderno, cumprindo rituais budistas de ascese e enriquecimento espiritual.
A narrativa é cíclica, como o próprio título indica e se quisermos extrair uma "mensagem" poderíamos optar pela ilustração da essência da natureza do ser humano; a sua maldade intrínseca, que resiste à iluminação do saber e da racionalidade.
É fácil reduzir o filme a um aforismo ou a uma lição de filosofia, mas o cinema de Kim — que interpreta ele mesmo a última encarnação do protagonista — nunca se revelou complexo em termos narrativos; é sobretudo uma obra visceral, com uma forte componente visual e estética, delineando uma simbologia clara e bem definida sobre a evolução do Homem enquanto ser moral e a procura da integração harmoniosa com o meio natural. "
Copyrigth
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"O Apartamento", Billy Wilder
-"Isto é pior para o médico do que para o paciente".

"Ora a democracia cometeu, a meu ver, o erro de se inclinar algum tanto para Maquiavel, de ter apenas pluralizado os príncipes e ter constituído em cada um dos cidadãos um aspirante a opressor dos que ao mesmo tempo declarava seus iguais. Ser esmagada pelos condottieri que dispõem das lanças mercenárias ou pela coalizão dos que manejam o boletim de voto é para a consciência o mesmo choque violento e o mesmo intolerável abuso; um tirano das ilhas vale os trinta de Atenas e os milhares de espartanos. Pode ser esta a origem de muita reacção que parece incompreensível; há almas que se entregaram a outros campos porque se sentiam feridas pela prepotência de indivíduos que defendiam atitudes morais só fundadas na utilidade social, na combinação política. E de facto, o que se tem realizado é, quase sempre, um arremedo de democracia sem verdadeira liberdade e sem verdadeira igualdade, exactamente porque se tomou como base do sistema uma relação do homem com o homem e não uma relação do homem com o espírito de Deus. Por outras palavras: para que a democracia se salve e regenere é urgente que se busque assentá-la em fundamentos metafísicos e se procure a origem do poder não nos caprichos e disposições individuais, mas nalguma coisa que os supere e os explique, aprovando-os ou reprovando-os. O indivíduo passaria a ser não a fonte mas o canal necessário ao transporte das águas; nenhuma autoridade sem ele, nenhuma autoridade dele. Seria assim possível sacudir de vez as morais biológicas que nos têm proposto e, construindo um decálogo sobre os princípios divinos, ligar-lhe indissoluvelmente a política com uma simples extensão ou como outro aspecto de uma idêntica actividade. Não vejo outro alicerce senão o entendimento, o que, fazendo do animal a pessoa, ao mesmo tempo se coloca acima do indivíduo e se impõe como norma universal; e as maiorias, assim, só viriam a obrigar quando as suas resoluções coincidissem com a razão e com os fins últimos que a Humanidade se propõe atingir." Agostinho da Silva, in 'Diário de Alcestes'
Penso também que todo homem é diferente de mim e único no universo, que não sou eu quem sabe o que é melhor para ele, não sou eu quem tem de lhe traçar o caminho; com ele só tenho um direito, que é ao mesmo tempo, um dever. O DE AJUDAR A SER ELE PRÓPRIO, como o dever que tenho comigo é o de ser o que sou.
Quanto aos outros, até e sobretudo no amor, se tem de ter muito cuidado.Gostar dos outros e querer-lhes bem tem sido motivo de muita opressão e de muita morte dos espíritos que vinham para viver. É ESTA UMA DAS BOAS INTENCÕES DE QUE MAIS ESTÁ CHEIO O INFERNO.Não temos que, essencialmente, amar nos outros senão a liberdade, a deles e a nossa.Têm eles, pelo amor, de deixarem de ser escravos, como temos nós, pelo amor, de deixarmos de ser donos do escravo.
Acreditando que o homem nasce bom, o que significa para mim que nasce irmão do mundo, não seu dono e destruidor, penso que a educação em todos os seus níveis, formas e processos, não tem sido mais do que o sistema pelo qual esta fraternidade se transforma em domínio, e todos nós, pelos tempos afora, temos querido que a escola, qualquer que seja ela, em qualquer lugar – escola chamada progressista ou retrógrada – seja fundamentalmente uma fábrica de fortes.Fortes para a invenção na indústria e a concorrência no comércio, fortes para as filosofias que nos descansam sobre os mistérios do universo e permitem agir com a consciência em tranqüilidade relativa – pelo menos tranqüilidade de uso social; fortes para a defesa enérgica e sem muitas perguntas perturbadoras quando alguém nos ameaça na nossa segurança; fortes para abrir caminhos fortes, e aí vem a palavra final, para vencermos na vida. O GRAVE DE TUDO ISSO É QUE VENCER NA VIDA SIGNIFICA NA VERDADE O TER VENCIDO A VIDA.
De tal modo terá nosso sistema de educação tomado conta de nós , que nunca mais criança alguma nascerá para ser livre na plena liberdade do mundo?
Terá o feitiço cuidado para cada vez aperfeiçoarmos mais os nossos sistemas pedagógicos apenas para que cada vez mais seja maior a eficiência na batalha da vida, ou na batalha em que transformamos a vida?
Ninguém acredita jamais que isto se dê.Fé e Esperança se têm unido para assegurar que, para além de todas as violências, tempo virá de caridade, entendendo-se caridade não como aquele suplemento de humilhação que se leva aos que caíram na luta, mas como o amor irrestrito que, embora consciente dos defeitos do amado, o ama sem pensar em saldo positivo ou negativo.
Estamos na época da história que marcará a ascensão final da humanidade à abundância dos meios de existência, à curiosidade sem limite por todos os aspectos do grande espetáculo do magnífico conto de fadas que pode ser a vida, à possibilidade de mergulhar sem medo no mistério que nos cerca.Estamos no início do tempo em que nos parecerão incompreensíveis a economia em que o homem era utensílio e não destino, a informação que era limitada segundo as conveniências dos que deste ou daquele grupo detinham o poder, e os sistemas e instituições em que o terror do mistério era mais forte do que o apaixonado amor por ele.
O reino que virá é o reino daqueles que foram cruxificados em todas as épocas, por todas as ideologias, apenas porque, acima de tudo, amavam a liberdade e a consideravam não sujeita ao medo, às restrições e à forca, mas como o grande motor do mundo.O reino daquele Deus que viam definindo-se fundamentalmente por não obedecer a nada e a ninguém senão à sua Divina natureza; reino que desejam para homens que não sintam obrigação alguma que não seja a de se aproximarem o quanto possível da Divindade de ser livre, livre no viver, livre no saber e livre no criar. No futuro que chega e se adiantará na medida em que o quisermos nós todos e o incorporarmos desde já à nossa existência, dentro de todas as limitações e sofrendo de todos os embates das ordens que estão condenadas e desaparecer, mas que agonizando forem, a educação não poderá ser mais do que fornecer a cada um tudo o que solicite para a sua alma possa se desenvolver e afirmar; respeitando a afirmação de que se nasce bom e capaz de tudo o que signifique amor pela vida – até que dois versos se tornem realidade e se transforme o amador na coisa amada e todos achem que é sempre curta a vida para o longo amor que livre, em nós, já livre arderá."





